ARTIGO
Disco de teste da Revista Áudio & Vídeo
por Victor Mirol
Este disco auxilia o audiófilo a ajustar alguns dos parâmetros do seu sistema de som. Em princípio somente para sistemas estéreo, porém, adaptado auxiliará também um sistema multicanal.

A idéia básica é que o audiófilo precisa de elementos que _ mediante simples audição criteriosa e, eventualmente, alguma medição com instrumentos simples como um multímetro _ permitam um ajuste básico do seu sistema, incluindo a sua sala de som.

Características

• Grande utilidade para verificação de conexões do sistema, de fase correta entre caixas, da resposta do sistema, da acústica da sala, da
diafonia etc.

• Pode ser utilizado sem complicações por simples audição ou então, por medição com voltímetro simples (multímetro comum).

• Serve para ajuste de sistemas estéreo, mas pode ser utilizado para sistemas multicanal.

• Contém faixas especiais para amaciamento de sistemas
(CD ou DVD Players, pré-amplificadores, amplificadores, caixas, cabos de interconexão e cabos de caixa, etc.) em
forma silenciosa.

• Auxilia na compreensão de fenômenos elétricos e acústicos.

• Inclui faixas para seguimento _ Hz a Hz _ da curva de resposta de 20 a 300 Hz e banda passante de 20 Hz a 20 kHz

Ficha técnica

Sala de gravação: Víctor Mirol

Locução e correção de textos: Ronam Junqueira

Assistência técnica de gravação: Denis Soria

Audição crítica: Fernando Andrette

Masterização: Homero Lotito, estúdios REFERENCE

Criação e edição de faixas sonoras e textos: Víctor Mirol

Direção técnica e de gravação: Víctor Mirol

Elementos utilizados

• Microfones AKG C414 B em pares com suporte próprio.

• Prés de microfone e digitalizador RME 800.

• Gravação em disco rígido com o computador de referência
da sala.

• Cabos van den Hul D-102.

• Criação dos efeitos sonoros realizados em Cool Edit Pro e Adobe Audition 2.

• Verificação de cópias foi realizada bit a bit com EAC.

• Monitorização: McIntosh M200, MC501, falantes Krell Resolution 1 e Dynaudio Anniversary, cabos Harmonic Technologies, decibelímetro, multímetro, software de acústica ETF5 e RplusD com microfone calibrado, Sony SCD-XA9000ES e dCS P8I, cabos Nordost, van den Hul, StraightWire, Logical Cables, AC Organizer.


CD de Teste
As faixas 28 e 29 foram baseadas no disco XLO Test & Burn-In CD e modificadas.

Os testes LEDR (faixas 9, 11 e 13) foram desenvolvidas pela firma E.I.S.A. (USA) com base em experiências da Northwestern University.

Índice de faixas

01- Introdução (texto).

02- Conexionado-Teste de canais (voz).

03- Conexionado-Teste de fase (voz).

04- Conexionado-Teste de fase (voz).

05- Conexionado-Teste de fase (texto e ruído rosa estéreo modificado, em fase e contrafase, nível médio de _18 dB).

As faixas 2 a 5 terão utilidade para a verificação básica das conexões elétricas do sistema. Veremos, com elas, se os canais esquerdo e direito estão corretamente identificados e se a fase relativa entre eles é a correta. A faixa 5 consiste em ruído rosa acentuado nos graves para melhor percepção da inversão de fase.

06- Acústica-Teste de fase e ajuste de caixas (voz em inversão de fase).

A faixa 6 permite _ de um ponto de vista menos convencional _ verificar ou ajustar o posicionamento de caixas e elementos acústicos da sala
de áudio.

07- Acústica-LEDR 1a (voz).

08- Acústica-LEDR 1b (som especial sintetizado).

09- Acústica-LEDR 2a (voz).

10- Acústica-LEDR 2b (som especial sintetizado).

11- Acústica-LEDR 3a (voz).

12- Acústica-LEDR 3b (som especial sintetizado).

As faixas 6 a 12 permitem verificar, como um todo, a situação acústica da sua sala, em especial a região frontal, assim como a influência de superfícies
perturbadoras na área das primeiras reflexões. Eventualmente, permitirão detectar raros casos de mau funcionamento de cross-overs ou drivers das caixas.

13- Resposta-Graves-Voz (voz).

14- Reposta-Graves-Sons 1/3 de oitava (som sintetizado, -23 dB médio, estéreo).

15- Resposta-Médios (voz).

16- Resposta-Médios-Sons 1/3 de oitava (som sintetizado, -23 dB médio, estéreo).

17- Resposta-Agudos (voz).

18- Resposta-Agudos-Sons 1/3 de oitava (som sintetizado, -23 dB médio, estéreo).

As faixas 13 a 18 permitem a verificação auditiva da resposta do conjunto caixas e sala. Com elas podemos identificar irregularidades em pontos específicos dentro das freqüências escolhidas, que estão espaçadas a um terço de oitava a partir de 20 Hz.

19- Nível-Onda senoidal 315 Hz (voz).

20- Nível-Onda senoidal 315 Hz _20 dBFS (som).

21- Nível-Onda senoidal 315 Hz 0 dBFS (voz e som).

22- Nível-Onda senoidal 1000 Hz 0 dBFS (voz e som).

As faixas 19 a 22 permitem verificar o nível de saída do CD Player ou os níveis de amplificação de outros componentes (como pré-amplificadores) com instrumentos de medição de voltagem. As faixas 20 e 21 (315 Hz) permitem o uso de multímetros comuns.

23- Geral _ Ruído Rosa E&D _ 20 dBFS (voz e som).

24- Geral _ Ruído Branco E&D _ 20 dBFS (voz e som).

As faixas 23 e 24 permitem comparar tonalidades de diversas caixas ou modificações na acústica da sala.

25- Resposta/Diafonia-Onda Senoidal 20-20kHz Esq. (voz e som).

26- Resposta/Diafonia-Onda Senoidal 20-20kHz Dir. (voz e som).

As faixas 25 e 26 permitem
verificar _ com medições, preferentemente _ a resposta do sistema, a diafonia ou separação entre canais.

27- Resposta/Digital/Ruído-Onda Senoidal 1000 Hz 0-100 dBFS (voz e som).

A faixa 27 está destinada a observar o ruído de fundo do seu sistema, assim como a entender as distorções e ruído digitais a muito baixo nível por erro de quantização.

28- Utilidade-Queima-Amaciamento de componentes eletrônicos (voz e som).

29- Utilidade-Queima p/falantes enfrentados (som).

As faixas 28 e 29 destinam-se a queima (amaciamento) de componentes. A faixa 28 serve melhor para os componentes eletrônicos com exceção de amplificadores. Para ser utilizada com esses últimos (e evitar o barulho), as caixas deverão ser substituídas por resistores de dissipação e resistência adequadas para emular a carga das caixas. A faixa 29 está especialmente projetada para amaciar caixas ou sistemas completos, colocando-as frente a frente o mais próximo possível e verificando que os cones dos falantes não estejam em contato durante a utilização, o ideal é que o volume esteja a níveis normais de audição ou pouco menos. O volume sonoro resultante será o suficientemente baixo como para ficar funcionando 24 horas por dia sem causar problemas de poluição sonora.

30- Curva de Resposta (voz).

31 a 59- Resposta-10 a 300 Hz (voz e som).

As faixas 30 a 59 permitirão verificar (em forma auditiva ou medindo com um decibelímetro) a resposta da sala e caixas de 10 a 300 Hz, em passos de 1 Hz.

Mais detalhes sobre o uso deste disco no site da Revista: www.clubedoaudio.com.br.

Syncrotape Paradigm

A passagem do som sem reduzir acentuadamente as altas freqüências. Dessa forma, é possível utilizar difusores, rebatedores e diferentes tipos de dispositivos sem interferir na estética da sala. O arranjo definitivo desses dispositivos também ficou para um momento posterior.

Após a montagem de toda a estrutura, do difusor principal, dos difusores laterais e dos dispositivos do teto, colocamos um sistema para tocar na sala e iniciar o acerto final. Nesse momento foi feita a escolha e a sintonia do segundo e terceiro par de tubos. Nosso ouvido adapta-se muito facilmente às variações de amplitude na resposta dos graves. Contudo, se houver diferenças acentuadas entre o decaimento de diferentes freqüências e nos graves, percebemos isso como algo perturbador e a compreensão da música fica prejudicada. Esses tubos ressonadores são interessantes por serem altamente seletivos, dessa forma pode-se escolher as freqüências cujo decaimento mais destoa das demais e corrigi-lo.

Nesse momento do trabalho, acho muito interessante escutar a sala ainda com pouquíssima absorção. Alguns quesitos ficam prejudicados, não há recorte e o palco é difuso, por exemplo. O nível de detalhamento também é baixo. A profundidade e a sensação de `música ao vivo', mesmo em gravações multicanal, são muito boas. Com menor detalhamento e precisão, obviamente, a reprodução é muito mais condescendente com gravações medianas ou ruins. À medida que a
absorção é colocada, ganha-se principalmente no detalhamento e recorte, porém a reprodução tende a ser mais analítica, ter menos ambiência e menor integração entre os instrumentos. Para fugir do lado ruim desse compromisso, dispositivos especiais podem ser utilizados de forma a trazer ganhos com o mínimo de perdas.

Para mim foi uma experiência e tanto fazer o projeto para uma sala com um equipamento como esse e para alguém tão crítico e exigente (consciente) como o Fernando Andrette. Um projeto como esse envolve muito esforço e a superação de inúmeras dificuldades. Foi muito gratificante escutar ao sistema do Fernando atingindo um novo patamar, mesmo sabendo que ainda há trabalho a ser feito, e compartilhar da sua satisfação
com o resultado. Tenho certeza de que sistemas como esse montado por ele, e salas como esta, são raríssimas e podem ser contadas no dedo em qualquer canto do mundo. É um verdadeiro privilégio ter uma tão próxima de nós, rendendo frutos através desta revista. Fico contente em saber que o resultado desse trabalho não será algo estagnado, pois haverá todo mês a participação do importador de um dos equipamentos em teste, dois leitores da revista acompanhando um dos testes e a aplicação da metodologia da Áudio & Vídeo utilizando a sala e o sistema de referência.
Medição sem difusores/medição com difusores
Duas medições, a segunda realizada após a colocação dos difusores bi-direcionais atrás das caixas no centro da sala. Os gráficos mostram a intensidade inicial e o decaimento das freqüências entre 1 kHz e 20 kHz. Note aumento de energia acima de 15 kHz e distribuição mais homogênea da energia (menor quantidade de cores laranja e vermelha) após a utilização dos difusores.


Victor Mirol
Articulista
Comentários:
Necessário login para postar
Email
Senha
Nome Douglas
Email douglas@dasg.com.br
Comentário Bom dia! Como faço para compar este cd. Abraços. Douglas